2ª Parte: Conheça o College Basketball e sua Estrutura Organizacional

O que é a NCAA (National Collegiate Athletic Association)

A NCAA é a entidade máxima dos esportes universitários nos EUA, responsável por organizar e gerenciar competições regionais e nacionais entre as universidades. A NCAA possui 3 grandes divisões no college basketball. A primeira divisão é a mais forte e recebe a maioria das universidades tradicionais dos EUA, as regras para se fazer parte da primeira divisão é ter um programa esportivo que contemple pelo menos 14 esportes tanto no feminino como no masculino.

O que são conferências, quantas são e quantas universidades existem na 1ª divisão

Na primeira divisão da NCAA existem 353 universidades distribuídas em 32 conferências. Cada conferência tem entre 8 e 14 universidades. As conferências são uma espécie de liga menor, mas todas são ligadas a NCAA. Cada conferência tem poder para vender os direitos televisivos dos jogos de seus filiados e também podem organizar torneios e concederem premiações aos melhores atletas.

As conferências inicialmente eram criadas com o intuito de reunir universidades de uma determinada região. Com o passar do tempo as universidades começaram a trocar de conferência na medida em que outras ofereciam contratos televisivos melhores, e portanto perdeu-se a regionalidade. Mas os nomes das conferências ainda são em referência a região do país em que se encontram. Ex: Big EAST, Pacific-12, Missouri Valley.

Existem SEIS grandes conferências no college basketball: ACC, BIG Ten, BIG 12, PAC-12, BIG EAST e a SEC. Nelas estão as mais tradicionais e vitoriosas universidades do college basketball.

As diferenças para a NBA

A NCAA têm algumas diferenças em relação à NBA.

  • Na NCAA o jogo é disputado em dois tempos de 20 minutos, e não em quatro de 12 como na NBA.
  • O tempo de posse de bola é de 30 segundos.
  • Faltas coletivas: Da sétima à nona falta coletiva do time no tempo, o seu adversário tem direito a um lance livre(ONE ON ONE), dois caso acerte o primeiro. A partir da décima, dois lances livres são marcados. Na NCAA, todas as faltas pessoais, defensivas e técnicas, na quadra ou de qualquer um no banco são consideradas como falta coletiva. Faltas ofensivas cometidas por jogadores que não estão com a posse de bola também são faltas coletivas.
  • O arco da linha de 3 pontos da NCAA mede 6,32 metros, enquanto a da NBA mede 7,24.
  • Na NCAA após cometer 5 faltas o atleta é eliminado da partida.

O Recrutamento Universitário

O recrutamento é uma etapa importante para uma universidade. É através do recrutamento que são feitas reposições para as saídas de jogadores que vão para a NBA ou mesmo por aqueles que tenham se formado ou se transferido.

O recrutamento das universidades é bastante complexo de explicar, mas de modo geral existem quatro períodos dentro de um ano letivo em que os técnicos universitários podem recrutar os futuros calouros. Cada período é bem descrito pela NCAA, com regras específicas e punições duríssimas para quem as descumprir. Leia a primeira parte desta série e entenda como isso funciona com mais detalhes.

O que é Elegibilidade

Elegibilidade é uma AUTORIZAÇÃO concedida pela NCAA para o atleta possa atuar no college basketball assim que o calouro assina sua carta de intenções ou faz sua matricula em uma instituição.

A NCAA concede a cada atleta QUATRO anos de elegibilidade que devem ser cumpridos em até 5 anos. Lembrando que existem cursos que duram de 3 a 5 anos nas universidades dos EUA. No caso de um estudante-atleta ter um curso de 5 anos, ele terá que ficar um ano sem jogar para conseguir cumprir a regra da elegibilidade, este ano sem jogar é chamado, ano redshirt.

Essa permissão também pode ser suspensa se a escola ou a NCAA entender que alguma regra foi quebrada. Notas baixas, matérias pendentes, recebimentos de premiações que não foram revelados a NCAA costumam ser motivos de suspensão parcial ou integral da elegibilidade.

Como funcionam as transferências

Atletas se transferindo esta cada vez mais frequente no college basketball. De maneira geral, ela pode ocorrer em qualquer ano da graduação do atleta, seja após o primeiro ano ou não.

Os motivos podem ser vários, mas normalmente acontecem por problemas esportivos e não acadêmicos como seria de se supor. Ter sido reserva em sua primeira temporada, problemas pessoais com o técnico e muitos outros estão entre os mais citados.
Para Coibir essa situação cada vez mais recorrente, a NCAA estipulou uma norma:
Atletas que se transferirem sem uma justificativa plausível e sem uma autorização por escrito da universidade e do técnico iriam perder sua elegibilidade por um ano. Mas existem algumas exceções em que pode ocorrer uma transferência sem precisar da autorização da universidade. Veja:

  • Alguns cursos acadêmicos tem duração de três anos nos EUA, consequentemente o quarto e seria de uma pós Graduação. Nessa situação, o atleta pode se transferir para outra universidade e não perderá sua elegibilidade podendo atuar sem problemas.
  • Se o atleta tiver ficado um ano como Redshirt, e o atleta quiser se transferir após esse ano, A NCAA pode abrir uma exceção e permitir a transferência.
  • Se o atleta tiver se transferido uma vez, ficando um ano sem atuar e quiser se transferir novamente, sua elegibilidade será mantida. Mas esses casos são julgados separadamente

Importância de manter as notas acadêmicas altas

As notas são um fator importante na vida esportiva de um atleta. Se o GPA (média de notas da universidade) estiver abaixo de 2.0, o atleta pode ser punido pela universidade sendo proibido de atuar pelo time em um jogo ou sendo retirado do time definitivamente até as notas terem a melhora desejada.

Um exemplo disso foi Ben Simmons que por ter notas muito ruins acabou sendo colocado no banco de reservas em dois jogos de LSU na temporada passada. Muitos atletas que não alcançam o índice exigido pela NCAA quando vem do High School, optam por jogar em universidades Junior College (3ª divisão da NCAA), que é um caminho alternativo para se alcançar a 1ª divisão do basquete universitário.

Como funciona o ranqueamento das equipes pela Associated Press (AP)

Em primeiro lugar a Associated Press é uma associação de jornalistas dos EUA, em que diversos veículos de imprensa mantêm-se representados por jornalistas conhecidos e respeitados. Desde 1948 a AP estipula rankings top 25 para o college basketball. O ranqueamento da AP é feito ainda na pré-temporada e vai sendo mudado toda semana a partir dos resultados, North Carolina e UCLA são as universidades que mais vezes estiveram com primeira colocação na pré-temporada. Alguns fatores são levados em conta pela AP para que uma universidade apareça no ranking, veja:

  • Força do elenco: Quantos veteranos ainda estão no elenco, e como foi o desempenho do time na última temporada. Seniors sempre são bem vistos pela AP, seniors são sinônimo de experiência e levando em conta que a média de idade dos times universitários é baixa, ter experiência é fundamental para ser candidato a títulos.
  • Força do recrutamento: Universidades que tem bom recrutamento começam a temporada com muitas esperanças de títulos e a AP sempre avalia bem times com calouros 5 estrelas.
  • Força do calendário: Em qual conferência a universidade está e contra quem ela vai jogar também conta para o ranking. Uma derrota para Duke (uma das universidades mais fortes do college) tem um peso, e para Fresno State (universidade pequena da costa oeste dos EUA) tem outro totalmente diferente. O mesmo serve para as vitórias.

Calendário, Torneios de conferência e Torneio da NCAA

Calendário

A temporada do college basketball é dividida em três períodos: Temporada regular interconferencional; temporada regular conferencional; e torneios.

  1. A primeira parte é totalmente livre e acontece entre Novembro e Dezembro. As universidades marcam seus próprios jogos, como se fossem amistosos. Porém todos estes confrontos terão um peso muito grande na hora que o comitê for analisar quais times merecem as vagas por índice técnico no March Madness. É uma fase importante também para analisarmos quais conferências são as mais fortes – o que consequentemente resultará em mais convites para o NCAA Tournament.
  2. A segunda parte dura aproximadamente 3 meses e é a fase “doméstica” do calendário. Aqui só temos confrontos de times de mesma conferência. Cada liga tem 16 ou 18 rodadas, onde necessariamente todos os times dentro dela se enfrentam ao menos uma vez. Também é nessa fase que veremos a maior parte das rivalidades do college acontecer.
  3. A terceira parte é a dos torneios, que dividiremos em:

Torneios Conferencionais

Além da temporada regular, todas as 32 conferências do college basketball possuem o seu próprio torneio. Eles são diferentes de playoffs, porque todas as equipes da liga estarão habilitadas a participar (e não só as 4 ou 8 melhores, por exemplo).

Além disso, são mata-mata de partida única e em local pré-definido. Como todas as equipes estarão reunidas em uma só cidade, tal competição geralmente não dura mais do que cinco dias.

Os times que forem campeões dos torneios estão automaticamente classificados para o torneio nacional.

Torneio Nacional (March Madness)

Além das 32 campeãs de conferência, outras 36 universidades são “convidadas” a disputar o NCAA Tournament. Quem decide quais serão estas 36 felizardas é um comitê especializado da liga, que distribui as vagas de acordo com uma espécie de índice técnico.

O comitê analisa não só a campanha dos times, como também a força do calendário deles. Até por isso nós raramente veremos alguma universidade de conferência menor sendo chamada (os adversários dela na temporada não são fortes o bastante para qualificá-las, mesmo se a campanha for excelente).

Depois disso, os 68 times ganham uma cabeça-de-chave com a finalidade de que os melhores (seeds 1, 2, 3…) tenham um caminho mais tranquilo pela frente, premiando assim o desempenho no restante do ano.

Os confrontos, ao contrário da NBA, são realizados em partida única. Ou seja, quem perder definitivamente está eliminado.

OBS 1: Times que chegaram perto, mas não foram bons o suficiente para ganhar convite para o torneio nacional vão receber vagas para torneios de consolação, como NIT ou CBI.

OBS 2: Para mais detalhes leia a 3ª parte desta série de matérias

As premiações individuais para o melhor calouro, melhor jogador e etc…

Tanto as conferências como a NCAA concedem premiações aos melhores atletas da temporada. Veja alguns dos principais prêmios de temporada concedidos.

  • Naismith College Player Of The Year: Considerado um dos prêmios mais importantes do College Basketball, é dado ao melhor atleta do ano no College Basketball. Uma Curiosidade é que apenas uma vez um Freshman levou o prêmio, Kevin Durant em 2007.
    Últimos vencedores: Buddy Hield e Frank Mason III
  • John R. Wooden Award: Este prêmio leva o nome do maior treinador de todos os tempos da NCAA que conquistou vários títulos com a UCLA. Os candidatos devem ser estudantes e ter uma média GPA de 2,00 (Média de notas da Universidade) ou superior durante toda a sua carreira universitária. Os jogadores que são nomeados devem ter contribuído de forma notável para a sua equipe, tanto ofensivamente como defensivamente, e ser cidadãos-modelo, exibindo força e caráter, dentro e fora da quadra.
    Últimos vencedores: Buddy Hield e Frank Mason III

Existem muitos outros prêmios mas esses são os principais e mais conhecidos.

Termos Utilizados no College Basketball

Redshirt: Nos esportes universitários, redshirt ou camisa vermelha (tradução livre) é um artifício que permite que os jogadores ganhem um ano a mais de elegibilidade no College, com a contrapartida de não atuarem no corrente ano.

Exemplo: um jogador recebe a redshirt na sua temporada de calouro. Com isso, no ano seguinte ele não será um sophomore, e sim um redshirt freshman e pode ficar até cinco anos na universidade.

Embora seja muito mais comum um jogador receber a redshirt na sua temporada de calouro, ela pode ser dada em qualquer um dos seus quatro anos de elegibilidade. Kris Dunn, por exemplo, sofreu uma lesão no ombro em 2013, na que seria a sua segunda temporada, e recebeu redshirt médico.

Walk-on: Jogador que atua uma universidade sem receber bolsa de estudos, pagando de maneira integral os custos de mensalidade como qualquer outro estudante regularmente matriculado (nos EUA, todas as universidades são pagas, inclusive as públicas).

Freshman: calouro ou 1º ano na Universidade

Sophomore: segundo ano na Universidade

Junior: Terceiro ano na Universidade

Senior: Último ano na Universidade

JUCO: Junior College é a terceira divisão da NCAA. Nela estão presentes pequenas universidades que se mantém com pouca contribuição do governo e que não possuem um sistema esportivo tão forte como universidades maiores. Atletas transferidos de lá geralmente são chamados de “JUCO”.

Bubble: A melhor tradução para esse termo em português seria “bolha”, o que ainda não faria muito sentido. Mas é uma definição muito fácil de se entender: Os times que estão na bolha do basquete universitários são aqueles que estão lutando pelas últimas vagas que o comitê distribuirá, ou seja, naquele limite de entrar ou sair da zona de classificação.

Então, pra resumir, vai chegar em uma determinada época da temporada que teremos três grupos de equipes: os virtualmente classificados para o March Madness; os virtualmente eliminados deste; e os times da bolha. Este último grupo, à medida que a temporada regular vai afunilando, geralmente ganha toda a nossa atenção, já que cada partida deles passa a ser decisiva.

2 thoughts on “2ª Parte: Conheça o College Basketball e sua Estrutura Organizacional

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *