Análise de Recrutamento – Alabama Crimson Tide

O recrutamento de atletas no High School, é uma das coisas mais fantásticas que existem no College Basketball e é durante este período de recrutamento que nós, fãs do basquete universitário, paramos para analisar com mais atenção aqueles que serão os próximos astros nas universidades quando a temporada recomeçar. Novembro e Abril são tradicionalmente os meses em que os recrutas costumam se comprometer com universidades e assinarem suas cartas de Intenção com a mesma. Após um longo período de recrutamento, alguns técnicos estão comemorando um bom recrutamento enquanto outros estão frustrados.

Foi a partir disto que surgiu na equipe Live College BR o interesse de abrir uma série especial, que tem como objetivo Analisar o Recrutamento que as universidades fizeram para a temporada 2017/18, dando um panorama de como foi a temporada da universidade, o estilo de recrutar que o técnico local se utiliza, como os novos recrutas devem se encaixar no jogo da universidade além de comentar sobre cada prospecto recrutado pela universidade em questão.

Para abrir a série, escolhemos a universidade do Alabama que de maneira surpreendente conseguiu um dos melhores recrutamentos do país ficando atrás apenas de Kentucky, UCLA, Arizona e Duke.

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Resumo da Temporada 2016/17: Muita Disciplina Tática e Pouco Talento

A temporada do College Basketball terminou oficialmente no dia 03 Abril com a universidade de North Carolina Tar Heels se sagrando campeã nacional para mais de 70 mil pessoas no estádio do Arizona Cardinals. Para os fãs de Alabama, a temporada acabou muito antes disso. Devido a uma temporada cheia de altos e baixos, o time não conseguiu se classificar para o torneio da NCAA sendo portanto convidado para participar do NIT (um torneio alternativo, também organizado pela NCAA), mas a equipe terminou sendo eliminada logo na primeira rodada para a universidade de Richmond.

Resumo da Temporada em Números:

 

Record: 19 W – 15 L
SEC: 10 W – 8 L
NIT: Eliminado no 1º Round

Apesar da temporada lastimável de Alabama em termos de resultados, o time conseguiu mostrar em quadra uma filosofia de jogo bem interessante, mostrando para os fãs que pelo menos o futuro poderia reservar coisas boas. Na verdade, Alabama se mostrou um time muito obediente taticamente, executando jogadas que pareciam desenhadas a dedo pelo seu treinador Avery Johnson.

A cada nova partida, as coisas pareciam ser dificultadas por outros times que aprendiam como marcar e atacar o frágil time de Alabama, deixando claro que uma das principais necessidades da equipe era de um talento individual que pudesse agregar com a coletividade e transformar uma equipe razoável em um possível contender ao titulo nacional.

Estilo de Recrutamento em Alabama: Recrutando Perto de Casa

Obviamente, as universidades de modo geral têm como principal campo de recrutamento seu quintal de casa. Para Alabama, recrutar no estado nunca foi um problema, visto que há na região muitas escolas preparatórias e que sempre forneceram bons atletas ao College. O grande problema no entanto era a dificuldade em recrutar os melhores atletas do estado e fazer no mínimo um recrutamento aceitável nos estados vizinhos.

A chegada de Avery Johnson em 2015 mudou drasticamente a forma que a universidade estava acostumada a fazer recrutamento, tanto dentro do estado como fora. Sua ambição por atletas de grande talento no High School transformou as pequenas pretensões em grandes objetivos. Sua primeira tarefa depois de chegar ao comando técnico do time foi contratar novos assistentes técnicos com grande experiência em recrutamento de atletas.

Sua segunda tarefa foi recrutar pessoalmente alguns dos melhores atletas disponíveis que se encaixariam no perfil do time, e que causasse um impacto imediato na equipe. Terrance Ferguson (Natural do Texas – Austrália), Marques Bolden (Natural do Texas – Duke) e Malik Monk (Natural de Arkansas – Kentucky) são atletas que foram classificados como 5 estrelas na classe de 2016 e estiveram na linha de frente do forte recrutamento implementado por Johnson na época.

Terrance Fergunson chegou inclusive a se comprometer com a universidade, mas posteriormente desfez seu compromisso para jogar na Austrália. Nesta classe de 2016, apenas Braxton Key (Natural do Tennessee) classificado como 4 estrelas, se comprometeu com Alabama. Apesar disso, uma mensagem tinha sido enviada para as grandes universidades: A próxima temporada seria diferente.

Recrutamento 2017

Com Alabama conseguindo recrutar cinco novos atletas para o time e se colocando entre as grandes forças no recrutamento nacional, as expectativas na universidade são bem elevadas. Então vamos analisar cada um dos recrutas e o provável impacto que podem causar na equipe de Alabama e consequentemente na conferência SEC para a próxima temporada 2017/18.

Confira:

JOGADOR POS CIDADE ALTURA PESO ESTR. UNIVERS.
Collin Sexton PG Mableton, GA
Pebblebrook High School
6’3”
(1,90 m)
79 kg  5 *  
John Petty SG Huntsville, AL
Jemison High School
6’5”
(1,95 m)
83 kg  5 *  
Alex Reese PF Pelham, AL
Pelham High School
6’9”
(2,05 m)
99 kg  4 *  
Herb Jones SF Newbern, AL
Hale County High School
6’5”
(1,95 m)
81 kg  3 *  
Galin Smith C Clinton, MS
Clinton High School
6’10”
(2,08 m)
101 kg  3 *  

Collin Sexton – Mais Conhecido Como “Young Bull”

Sexton se Comprometeu com Alabama ao vivo na ESPN Americana

Collin Sexton é sem duvidas a joia da coroa neste recrutamento. Ainda mais se levarmos em conta que Sexton tinha ofertas de bolsas de estudo para mais de 30 universidades, incluindo Kansas, Villanova, North Carolina, Arizona, Connecticut, Flórida State, Flórida, USC, Texas e Auburn. Duke e Kentucky, também mostraram interesse em Sexton, mas no final, Alabama e Kansas eram as equipes favoritas para serem escolhidas por Sexton.

Sexton é um jogador de elite, o tipo de jogador que Alabama tem lutado para conseguir assinar em muitos anos. Um dos armadores mais dinâmicos do país Sexton está constantemente em modo de ataque, seja no jogo de transição ou contra uma defesa definida. Sua velocidade é algo que impressiona bastante e graças a ela seus marcadores costumam se perder e cometer faltas. Sua capacidade de marcar pontos em todos os três níveis da quadra é outro fator que dificulta muito marca-lo.

Veja neste Mixtape o tamanho do Talento de Collin Sexton:

Sexton também tem um bom controle de bola e consegue ler a defesa muito rapidamente o que o ajuda a decidir qual será seu próximo movimento. Na defesa ele é extremamente focado em produzir turnovers dos adversários seja com um roubo de bola ou interceptando passes. Sua intensidade dentro das partidas também é algo que impressiona bastante, levando-o a sempre procurar um rebote defensivo para dar inicio a um novo ataque o mais rapidamente possível.

John Petty – Outra Peça para o Explosivo Backcourt de Alabama

John Petty – Se Comprometeu com Alabama Após uma Grande Partida em Novembro

Assim como Sexton, John Petty tinha mais de uma dúzia de ofertas para jogar em grandes universidades, incluindo Kentucky, Kansas, Vanderbilt, Auburn, Connecticut. A batalha pelo recrutamento de Petty no final ficou entre Alabama e Kentucky. Uma das primeiras ofertas de bolsa de estudos que Avery Johnson fez ao ser nomeado treinador de Alabama foi para John Petty. Esse talvez tenha sido um dos fatores mais determinantes na escolha final de Petty.

Petty é extremamente talentoso apesar de ainda estar muito cru em vários aspectos de seu jogo. O jogador é um ala longilíneo e bem atlético. No aspecto físico possui ótimas ferramentas e um excelente potencial para ser trabalhado com o tempo. Ao longo de sua carreira no high school sempre atuou como um dos principais armadores de sua equipe, inclusive carregando a bola e armando jogadas. Por esse motivo é considerado um dos jogadores com maior potencial na classe de 2017 para ser um playmaker, apesar de atuar na posição de ala.

Veja neste Mixtape um pouco de John Petty:

Essa característica de jogo adquirida no tempo de colegial deverá ser muito útil para Petty, visto que ele poderá ser um daqueles alas que podem contribuir com o time distribuindo assistências e até armando o jogo. Graças a seu controle de bola que não é nada mau para um ala alto, e suas habilidades com e sem a bola, deverá ser um dos principais pontuadores de Alabama e causar um impacto imediato na equipe. Petty também é muito versátil e consegue pontuar muito bem em transição rápida, mas também sabe pontuar em um jogo de meia quadra, além de ter um bom arremesso de média e longa distancia. Sem duvidas, Alabama tem em mãos um diamante bruto e que deverá render bons frutos a universidade antes de ir para a NBA.

Alex Reese – O “Stretch Four” que Alabama Precisa!

Alex Reese com Avery Johnson Após uma Visita Oficial à Universidade

Alex Reese tinha quinze ofertas de bolsas de estudo, incluindo Kansas, North Carolina, Michigan, Maryland, Auburn, Tennessee, Flórida e Vanderbilt. Em entrevista concedida a uma TV de Alabama, Reese disse que sua escolha por Alabama se deu pela confiança estabelecida com o técnico no decorrer do recrutamento.

Reese é um ala pivô que tem como grande característica a mobilidade. Com isso sido tido, tem como especialidades o high-post (Estilo de jogo centrado na cabeça do garrafão), e o pick and pop (Jogada em que após o bloqueio, o pivô/ala pivô se desloca para receber a bola e arremessar). Essas características fazem de Alex Reese um jogador bem valioso para Alabama e que num futuro próximo deverá ser titular da equipe.

Veja no vídeo um pouco de Alex Reese:

Além disso, possui um bom alcance nos arremessos, que combinado com o seu tamanho, o torna um jogador difícil de defender. De modo geral, Alex Reese é mais um Stretch Four (Ala pivô que costuma atuar mais no perímetro convertendo arremessos) do que um ala pivô tradicional.

Herb Jones – Mais um Ala Explosivo! 

Herb Jones Assinando sua Carta de Intenção com Alabama

Herb Jones chegou a ter cerca de vinte ofertas de bolsas de estudo, mas a maioria das universidades o descobriu tarde demais, bem depois que Alabama já havia construído um bom relacionamento com ele. Certamente a proximidade física de sua cidade a Tuscaloosa (cidade onde fica a Universidade do Alabama) era uma vantagem que Avery Johnson soube aproveitar.

Jones pode jogar na posição de ala armador ou de ala. Possuí uma boa habilidade com a bola e tem um bom arremesso de média e longa distancia. Há duas principais razões do porque Jones não ter sido muito priorizado pelas grandes universidades:

  • Vindo de Moundville, o jogador não disputou campeonatos de muita relevância técnica como os outros três atletas já citados nesta matéria.
  • A outra razão é o seu porte físico; Com apenas 83 kg e 2,01m, Jones é fisicamente incompatível com o jogo no nível universitário.

Veja um pouco de Herb Jones (#2):

Não há como questionar suas habilidades, mas os treinadores sabem que ele precisa de mais peso para se destacar contra os adversários que fisicamente são mais maduros e desenvolvidos no nível universitário. Na era do “One-and-done” no basquete universitário, colocar calouros para serem Redshirt é quase um anacronismo, mas talvez essa seja a melhor opção para Jones no momento considerando também a presença de outros dois alas experientes no elenco de Alabama (Riley Norris e Ar’Mond Davis) além de John Petty que citamos anteriormente.

Galin Smith – Um Pivô Para o Futuro!

Galin Smith – Assinando sua carta de intenção com Alabama

Smith é um pivô com boa altura e com um talento especial para pontuar dentro do garrafão, seja de costas para a cesta ou aproveitando segundas oportunidades em rebotes. É notório que todos os recrutas de Alabama, Smith está um nível abaixo e precisará de tempo para evoluir e se desenvolver principalmente fisicamente.

Vários relatórios de recrutadores dizem que Smith está trabalhando duro para adicionar peso antes de chegar à universidade do Alabama. Assim como Herb Jones, Smith vai precisar de peso para ter sucesso na SEC. Na verdade, ele vai precisar adicionar peso e evoluir fisicamente muito mais do que Jones para conseguir se impor no garrafão contra adversários mais bem dotados fisicamente. Lembrando que a SEC é considerada umas das conferencias mais físicas do College Basketball.

Veja um pouco sobre Galin Smith:

Deve se levar em conta também que Smith só começou a jogar basquete com relevância a partir dos 14 anos. Logo, se torna um verdadeiro projeto para o futuro nesta classe de recrutas.

Expectativas Para Alabama na Temporada 2017/18

As expectativas para a universidade do Alabama são sem dúvidas muito boas, levando em conta que agora o time possui o que faltava: Talento. Apesar de ainda ser cedo para fazer projeções, é bem visível que Kentucky e Flórida despontam com grandes favoritas a vencer a conferência, mas existem equipes que possuem bons times e que podem aprontar na próxima temporada como por exemplo Arkansas, Auburn, Missouri e Mississippi State, além de Alabama é claro. South Carolina, uma das grandes surpresas da última temporada, perdeu muitos jogadores importantes e deve se reconstruir para a próxima temporada.

O que podemos afirmar com certeza é que Collin Sexton e John Petty serão titulares desde o primeiro jogo e que vão ter um grande impacto no desempenho da equipe, que deve ter como ambição particular, voltar ao torneio da NCAA o que não ocorre desde 2012 quando Alabama perdeu para Creighton no First Round. Alex Reese deve ter algum tempo de quadra durante a temporada, Herb Jones e Galin Smith devem ser menos utilizados num primeiro momento, visto que Alabama perdeu poucos jogadores e terá um time titular quase inteiro retornando na próxima temporada.

Outra ponto interessante a ser discutido é que Alabama já aparece em muitos rankings no top 25 da pré-temporada. Estes rankings levam em conta o provável elenco do time e o recrutamento feito. Esse é um bom termômetro para a universidade do Alabama e um grande feito para Avery Johnson e seu staff que tiveram um grande trabalho e devem ter bons resultados a curto e médio prazo.

Veja uma projeção do quinteto titular para a próxima temporada:

PG Collin Sexton (Freshman)
SG John Petty (Freshman)
SF Riley Norris (Senior)
PF Braxton Key (Sophomore)
C Donta Hall (Junior)

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5 comentários sobre “Análise de Recrutamento – Alabama Crimson Tide”

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