Análise de Recrutamento – Duke Blue Devils

O recrutamento de atletas no High School, é uma das coisas mais fantásticas que existem no College Basketball e é durante este período de recrutamento que nós, fãs do basquete universitário, paramos para analisar com mais atenção aqueles que serão os próximos astros nas universidades quando a temporada recomeçar. Novembro e Abril são tradicionalmente os meses em que os recrutas costumam se comprometer com universidades e assinarem suas cartas de Intenção com a mesma. Após um longo período de recrutamento, alguns técnicos estão comemorando um bom recrutamento enquanto outros estão frustrados.

Foi a partir disto que surgiu na equipe Live College BR o interesse de abrir uma série especial, que tem como objetivo Analisar o Recrutamento que as universidades fizeram para a temporada 2017/18, dando um panorama de como foi a temporada da universidade, o estilo de recrutar que o técnico local se utiliza, como os novos recrutas devem se encaixar no jogo da universidade além de comentar sobre cada prospecto recrutado pela universidade em questão.

Dando continuidade a esta série, chegou a hora de falar sobre a Universidade de Duke, uma das mais tradicionais do college basketball e que é treinada por um dos maiores treinadores de todos os tempos no college, o Coach K, que mais uma vez conseguiu um dos melhores recrutamentos do país ficando atrás apenas de Kentucky.

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Resumo da Temporada 2016/17: Altos e Baixos, polêmicas e uma eliminação precoce no March Madness

Uma temporada jogada no lixo. Esse foi o sentimento dos fãs da Universidade de Duke após a derrota para South Carolina no segundo Round do March Madness, depois de conseguir vencer um dos torneios de conferencia mais difíceis na NCAA, derrubando inclusive a universidade de North Carolina, que viria a ser campeã universitária.

Grayson Allen não conseguiu se comportar em quadra durante a temporada e não foi nem de perto um líder como seu treinador desejava. Graças a seus problemas em quadra, a pressão sobre os jovens da equipe aumentou bastante trazendo diversos problemas para a equipe. O sophomore, Luke Kennard, foi muito acima das expectativas durante toda a temporada. Dos calouros apenas Jayson Tatum conseguir mostrar bom potencial e ajudar esse time com sua capacidade de marcar pontos. Em compensação, Bolden e Giles não conseguiram jogar o que se esperava, fazendo do garrafão de Duke um problema durante toda a temporada.

Resumo da Temporada em Números:

 

Record: 28 W – 9 L
ACC: 11 W – 7 L
NCAA: Eliminado no 2º Round

Com todos esses problemas, Duke conseguiu um recorde de 28 vitórias na temporada e sofrendo apenas 9 derrotas. Algumas derrotas foram embaraçosas como para Virginia Tech, NC State, Miami e, finalmente, para South Carolina no Torneio da NCAA. Extremamente decepcionante se considerarmos o sucesso que o programa teve para trazer os melhores recrutas do país em 2016.

Depois que a temporada terminou, Duke sofreu a perda de nove jogadores, seja para a NBA, transferência ou por que se formaram. Felizmente para os fãs dos Blue Devils, Coach K conseguiu mais uma vez colocar Duke como candidato ao titulo trazendo outra excelentíssima classe de calouros.

Estilo de Recrutamento na Universidade de Duke: Os Alvos Serão Sempre os Melhores

Duke tem um recrutamento nacional muito forte. Sempre foi assim, de leste a oeste do país, um treinador assistente de Duke sempre estará la para observar atletas e oferecer uma oferta de bolsa de estudos. Graças a tradição da universidade, a visibilidade que isso proporciona e ao seu treinador que é uma lenda, Duke consegue com facilidade recrutar os melhores atletas todos os anos.

Existem muitas explicações para isso, mas a que mais se destaca é sem duvidas a vontade do atleta em se profissionalizar, e nada melhor que utilizar a imagem de uma das mais tradicionais universidades dos EUA que tem seus jogos transmitidos em rede nacional quase todas as semanas e que reconhecidamente tem como característica, preparar atletas para o próximo nível.

Coach K tem dito em entrevistas recentes que é cansativo e muitas vezes desanimador ter que recrutar todos os anos tendo que viajar para todos os lados do país. Por causa disso, Alguns jornalistas e insiders de College Basketball, suspeitam que o treinador da universidade em pouco tempo irá mudar o foco para atletas que não estejam totalmente prontos para a NBA, de modo que estes fiquem mais tempo na universidade. Talvez esse método já esteja sendo colocado em prática por Coach K.  Jordan Goldwire pode ser o primeiro atleta dessa nova filosofia.

Recrutamento 2017

Como disse anteriormente, Duke teve o segundo melhor recrutamento da nação ficando apenas atrás de Kentucky. Com a quantidade de perdas no elenco, a universidade precisava recrutar em quase todas as posições e foi o que aconteceu. Então vamos analisar cada um dos recrutas e o provável impacto que podem causar na equipe de Duke para a próxima temporada 2017/18.

Confira:

Atleta Pos Cidade/
Escola
Altura Peso  Estrelas Escola
Wendell Carter  PF Atlanta, GA
Pace Academy
6’9”
2,05 m
115 kg  5*
Trevon Duval  PG Wilmington, DE
IMG Academy
6’3”
1,90 m
86 kg  5*
Gary Trent Jr.  SG Apple Valley, MN
Prolific Prep
6’5”
1,96 m
90 kg  5*
Jordan Tucker  SF Marietta, GA
Wheeler High School
6’7”
2,01 m
93 kg  4*
Alex O’Connell  SG Milton, GA
Milton High School
6’6”
1,98 m
79 kg  4*
Jordan Goldwire  PG Norcross, GA
Norcross High School
6’1”
1,85 m
77 kg  3*

Wendell Carter – Força e dominância no Garrafão!

Enquanto a dupla de pivôs no ano passado Harry Giles e Marques Bolden não conseguiram atender as expectativas geradas, a decisão de Wendell Carter em se comprometer com Duke será um grande alivio para quem espera ver força e dominância no garrafão.

Ele vai combinar bem com Bolden na frente e proporcionará uma eficiência nos rebotes que o time não teve no ano passado. Com 2,05 m e 115 kg, Carter não brinca na área pintada, e uma das coisas que mais chamou a atenção dos treinadores sobre ele é a habilidade de ganhar pontos na linha de lance livre cavando faltas.

A medida que o seu hype crescia no High School, o número de faltas cometidas contra ele no garrafão diminuíram. Ele ajustou-se bem à pressão, aprendendo a arremessar de média distancia com consistência. Ele também não tem medo de arremessar a bola do perímetro, embora seja improvável que o vejamos fazê-lo em Duke devido à abundância de talentos no perímetro que Coach K tem à sua disposição.

Fisicamente, Carter, é imponente. Com uma envergadura de quase 2,20 m, mãos grandes e muita força física, o jogo de Carter se tornou confiável em termos de pontuação, rebote e defesa. Carter é uma ameaça consistente na defesa bloqueando arremessos e também no ataque finalizando próximo a cesta. Os fãs dos Blue Devils mal podem esperar a oportunidade de vê-lo em quadra.

Trevon Duval – Novo Kyrie Irving?

O Trevon Duval é, de longe, a aquisição mais valiosa de Duke para a próxima temporada. Com 1,90 m, Duval pode fazer de tudo em quadra.

Sua decisão de entrar para a universidade de Duke é especialmente importante devido à partida de Frank Jackson, que teve uma grande importância na parte final da temporada passada, apesar de ter dividido o tempo de jogo com Grayson Allen e Luke Kennard. Trevon Duval deverá ser um dos protagonistas do ataque de Duke desde o primeiro jogo na temporada e provavelmente terá um impacto imediato em todos os lugares da quadra.

Trevon Duval além de muito explosivo, é fisicamente muito bem dotado e graças ao seu atleticismo de alto nível, sua capacidade de infiltrar e finalizar com qualidade já é superior a de muitos atletas no college basketball. Ele tem um bom tamanho para sua posição, braços longos e uma ótima impulsão. Ele também é um grande playmaker e tem um controle de bola fantástico. Seu arremesso ainda não é muito bom do perímetro, mas está evoluindo gradualmente e a tendência em Duke é que ele trabalhe esse problema com muita calma, já que seus companheiros de perímetro, Grayson Allen e Gary Trent Jr. são ótimos arremessadores.

Gary Trent Jr. – O Substituto de Jayson Tatum?

As pessoas estão ansiosas para ter Gary Trent Jr. no campus. Filho do ex-jogador da NBA, Gary Trent, Trent Jr deverá ser um substituto valioso para os Blue Devils na ala. Com 1,96 m, ele não é tão grande quanto Tatum (2,03 m), mas apesar disso tem o mesmo instinto ofensivo de Tatum e consegue marcar pontos nos três níveis da quadra sendo acima da média no perímetro e que tem evoluído muito no jogo de infiltração.

Na ultima temporada, Trent atuou pela Prolific Prep. na Califórnia, mas é natural de Apple Valley em Minnesota, a mesma cidade de onde surgiu o campeão nacional por Duke em 2015, Tyus Jones. Outra curiosidade é que Gary Trent é um grande amigo de Wendell Carter e ambos se acertaram para jogarem juntos em Duke. Em 2015, Tyus Jones e Jahlil Okafor, então grandes amigos no High School, combinaram de atuar juntos por Duke. A parceria deu certo e rendeu um titulo nacional para a universidade. O raio pode cair duas vezes no mesmo lugar?

Jordan Tucker – Um Ótimo Reforço Para Contribuir Durante a Temporada 

Jordan Tucker  pode vir a ser um dos calouros mais incríveis neste recrutamento feito por Duke. É considerado por muitos com um ”steal” da universidade e até mesmo da conferência ACC.

Com o período de assinatura da carta de intenções terminando, Tucker estava em duvidas sobre escolher entre Georgia Tech e Syracuse. Quando Kevin Knox se comprometeu com Kentucky, Duke apareceu com uma oferta de Bolsa de estudos para Tucker que não demorou muito a responder a oferta com um sim. Com Duval, Trent e Carter sendo as estrelas desta classe, e com Allen e Bolden provavelmente começando como titulares na temporada que vem, Tucker não deverá ter muitos minutos de jogo, mas será importante na rotação da equipe com certeza.

Mas não se engane, ele é mais do que capaz de fazer um show. Ele tem 2,01 m, e tem um físico muito parecido com Jayson Tatum, mas não é tão desenvolvido como um scorer ainda. Ele proporcionará uma profundidade valiosa para um time que não confiou em seus reservas na última temporada.

Alex O’Connel – Um Ala com Muito Potencial Para o Futuro!

Alex O’Connell é muito negligenciado devido à atenção que o resto de sua turma de primeiro ano recebeu durante o ano passado, mas está claro para quem o vê em quadra que ele pode vir a ser o que Luke Kennard foi na ultima temporada e até mesmo ser ainda melhor.

O’Connel está classificado como o nº 84 no Top 100 da ESPN, e com 1,97 m de altura, é muito parecido com Luke Kennard além de ter quase o mesmo peso com que Kennard chegou a Duke. É dificil olhar para O’Connel e não imaginar a evolução que ele pode ter nos próximos anos se lembrarmos que Kennard não teve muito destaque no primeiro ano mas que na ultima temporada foi o cestinha da equipe e grande destaque de Duke.

Como calouro, Kennard recebeu uma quantidade boa de tempo de jogo, embora estivesse longe de ser a primeira opção ofensiva da equipe, teve uma média de 11,8 pontos por jogo, mas em seu segundo ano, Kennard parecia um jogador completamente diferente. Ele ganhou 10 kg, e teve uma grande melhoria em seu jogo com a bola o que lhe permitiu fazer muito mais do que apenas arremessar. Ele se tornou o cara de Duke, com médias de 35 minutos e 19,5 pontos por jogo. 

Jordan Goldwire – Outra Promessa para o Futuro

Jogando basquete na escola secundária de Norcross, GA, Jordan Goldwire ganhou o interesse de UNLV, Rice e Arizona State, entre outros, por causa de seu arremesso de três pontos seu bom passe e por ser um ótimo defensor.

Goldwire será um dos reservas que deverá apoiar Duval, e valerá a pena manter o olho no futuro desse garoto. Com 1,85 m, Goldwire tem boa velocidade, faz jogadas inteligentes com a bola e é um tipico armador que sabe pontuar. Sua visão de jogo é boa, e ele gosta de atacar a defesa vez ou outra mostrando que tem a capacidade de ver o jogo com um QI de basquete notável. No entanto, seu melhor atributo é a defesa individual.

Expectativas Para Duke na Temporada 2017/18

Com a classe de recrutamento deste ano, juntamente com o retorno de Grayson Allen e Marques Bolden, Duke é elevada ao nível de uma das favoritas a vencer a ACC. Seria difícil imaginar uma equipe que possa não começar com Duval, Allen, Trent, Carter e Bolden, enquanto Tucker, O’Connell e o segundo anista, Javin DeLaurier deverão vir do banco. Exceto por lesões graves ou os incidentes fora de quadra, Duke deve terminar nas três primeiras posições da ACC com uma chance grande de obter uma seed alta no Torneio da NCAA.

Pode parecer arriscado fazer tal previsão com base em recrutas não comprovados, mas tenha a certeza de que o grupo deste ano é muito diferente do ano passado. Não há tantas possibilidades de formações para se preocupar, e acredite isso é bom. Ano passado Coach K demorou a conseguir achar uma formação inicial que fosse eficiente envolvendo Jackson, Allen e Kennard, ou Chase Jeter, Giles, Bolden e Jefferson.

Além disso, Grayson Allen está de volta e se ele conseguir ficar longe de problemas, será o líder desta equipe e pode até ser que consiga ser um dos melhores da nação.

Veja uma projeção do quinteto titular para a próxima temporada:

PG Trevon Duval (Freshman)
SG Grayson Allen (Senior)
SF Gary Trent Jr (Freshman)
PF Wendell Carter (Freshman)
C M. Bolden (Sophomore)

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3 comentários sobre “Análise de Recrutamento – Duke Blue Devils”

  1. Muito bom. Parabéns, leio há um tempo site, estava esperando algo que falasse do time comandado pelo ex técnico da USA Basketaball. Abraços!

    1. Muito Obrigado Atauã. Nosso objetivo é produzir muito mais para esta próxima temporada. Continue acompanhando conosco, você não vai se arrepender.

  2. Pingback: Preview 2017 – ACC – Live College Brasil

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