College History – A Historia de UNLV e o Titulo Nacional em 1990

Uma das maiores riquezas contidas no college basketball é a quantidade de histórias incríveis que nunca foram contadas para você, querido leitor, que está começando a acompanhar o basquete universitário norte americano. São tantas histórias pra contar que, tivemos a brilhante ideia de criar uma série para colocar todas elas ao seu alcance.

A série denominada College History, irá trazer algumas das histórias mais lendárias que provavelmente você nunca tenha ouvido, além de curiosidades e muitas outras situações que vão levar você a entender a grandeza que existe por trás de uma das maiores ligas de basquete do mundo. E nesta segunda matéria da série, escolhemos contar a história de um dos melhores times universitários de todos os tempos, UNLV Rebels.

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David Butler e Moses Scurry Comemoram Abraçados ao Técnico Jerry Tarkanian a Conquista do Titulo Nacional Contra Duke

Desde que comecei a ler sobre as histórias das universidades (e não foram poucas), essa foi pela qual mais me apaixonei. Existem vários documentários sobre o título, várias entrevistas, reprise de toda a jornada de UNLV, e simplesmente essa é a melhor história que vi. Não apenas pela conquista inédita da universidade, mas pelo clima criado dentro da equipe, pelo ambiente na cidade de Las Vegas, pela preferência dos jogadores (principalmente Larry Johnson) em ficar na universidade para ganhar o título da NCAA ao invés de ir para NBA e o carinho dos jogadores com o Coach Jerry Tarkanian. Se ler, assistir VTs e documentários sobre esse título foi arrepiante, imagina acompanhar na época.

O time era diferenciado por dois aspectos: A defesa e o comprometimento enquanto time. Era incrível a entrega tanto em quadra, quanto o apoio fora dela. Os jogadores do banco mais pareciam torcedores do que jogadores. Jerry Tarkanian chega a brincar no documentário Teams to Remember – UNLV Runnin’ Rebels 1989-90, que os Rebels lideraram a liga naquele ano em abraços para referenciar o espírito altruísta da equipe. Coach Tark ainda disse que em questão de talento existiram várias equipes melhores que os Rebels, mas com o comprometimento, a química, jogo duro que UNLV tinha, os Rebs poderiam vencer qualquer time da história da NCAA.

A Temporada dos Rebels em 1989-90

Bom, sem perdermos muito tempo contando a história da temporada regular, UNLV terminou com um recorde de 29 vitória e 5 derrotas, perdendo apenas para Kansas (71-91), Oklahoma (81-89), New Mexico State (82-83), UC Santa Barbara (70-78) e para  LSU por 107-105 e que tinha um calouro jogando, chamado Shaquille O’Neal.

Falando em New Mexico State, as duas equipes tiveram a mesma campanha na temporada regular conferencial (na época Big West): 16 vitórias e 2 derrotas. Tal campanha rendeu a #1 seed para UNLV, que iniciariam sua Rebelution.

Um ponto-chave dessa jornada foi a partida contra Fresno State, rival de conferência, em que Greg Anthony teve seu maxilar quebrado em um lance de disputa de bola com outro jogador. Tarkanian chegou a brincar, durante o programa de Tim Neverrett, dizendo que nunca viu um jogador se recuperar tão rápido. No dia seguinte após a lesão, Anthony estava arremessando; dois dias depois treinando; e três dias depois aceitando desafios. “O jogador mais duro com o maxilar quebrado que já vi jogar” – Coach Tark.

Perguntado se doía quebrar o maxilar, Anthony respondeu: “Dói muito, mas não dói tanto quanto assistir ao jogo do banco de reservas.” Esse era o espírito do time. David Butler, durante o mesmo programa, disse que os jogadores ficaram felizes com a lesão porque não teria mais aquele jogador falando demais dentro de quadra.

Os Rebs eram liderados por Larry Johnson. Talvez um dos melhores college players da história. David Butler fazia companhia para Larry no garrafão. Stacey Augmon era o ala titular da equipe, chamado de “Plastic Man” pela sua versatilidade, capacidade de finalização próximo a cesta, sua ability to stretch devido a sua ótima envergadura. Anderson Hunt jogava na armação (segundo Tark, o único que realmente sabia arremessar na equipe). Finalizando com Greg Anthony, o melhor defensor da equipe e líder do time em quadra. Dos jogadores vindo do banco, tinha alguns emblemáticos como Moses Scurry – que segundo Tim Neverrett, foi o campeão em gritos por cada rebote assegurado. Moses gritava tão alto que era audível mesmo longe dos microfones. Stacey CvijanovichBarry YoungTravis Bice, dentre outros jogadores foram fundamentais no título. No final desse tópico nomearei um por um para não cometer injustiças.

No NCAA Tournament, a primeira parada foi contra Arkansas Little-Rock. Apesar de não ter muita expressão no college basketball, Little-Rock já revelou jogadores importantes como Derek Fisher. Os Rebs não tiveram muitas dificuldades para vencer e aplicaram 102-72 nessa primeira fase.

Na segunda etapa, a bola da vez foi Ohio State. 76-65 foi o placar e Larry Johnson fez 29 pontos e pegou 16 rebotes nessa partida. Era só esperar pela partida contra Louisville. Aí que o perigo bateu.

Ball State encarou Louisville. O mundo esperava o confronto UNLV vs Louisville, mas os Cinderella Cases estão sempre reservados para o torneio da NCAA. Ball State venceu por 62-60. E qual o perigo? “Se você conhece o inimigo e a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória sofrerá uma derrota. Se você não conhece o inimigo e nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” – Sun Tzu. Jerry não conhecia o inimigo. Nada. Resultado: foi o jogo mais complicado que UNLV teve no torneio, 69-67. Por pouco o sonho não acabara ali.

Loyola Marymount foi o adversário no Elite Eight. Tark, em entrevista, conta um caso sobre esse jogo. Ao estar com a esposa, Jerry diz que nunca teve tanta certeza de que venceria um jogo. “We’re gonna kill Loyola.” A esposa respondeu para que Tark não falasse assim que daria azar, que nunca vira o técnico falar assim antes. Tark respondeu: “Loyola tem o encaixe perfeito para o nosso time. Nós somos mais eficientes quando o time pressiona a quadra toda.” Não deu outra. UNLV 131-101 Loyola Marymount.

Final Four

Duke 97-83 Arkansas e UNLV 90-81 Georgia Tech. Apesar da vitória, Os Rebels tiveram um primeiro tempo desastroso. Digno de vergonha. Coach Tark estava paralisado, triste apenas mordendo sua toalha (mania do treinador) assistindo aquilo.

Georgia Tech tinha uma dupla sensacional de guards: Dennis Scott, um dos melhores arremessadores da história da NCAA, segundo Tark; e Kenny Anderson, um dos melhores armadores freshman da história do basquete universitário. Ambos estavam convertendo arremessos um metro antes da linha dos três. Ajustes foram feitos, as bolas pararam de cair e UNLV passou.

O jogo da final foi contra Duke. Tim Neverrett perguntou a Larry Johnson quando ele achou que o título seria de UNLV. Johnson respondeu: “Quando o juiz jogou a bola para o alto.” Esse foi o diferencial. Em consenso, os jogadores de UNLV notaram que Duke não estava preparada para aquele jogo. O rosto dos jogadores nervosos deram sinal de fraqueza para que os Rebels se fortalecessem no jogo. Do momento em que a bola subiu, UNLV só foi abrindo margem de pontos sobre Duke até ultrapassar os 30 pontos de vantagem. Duke havia errado todos os 8 arremessos para três pontos até os últimos 5 minutos de partida, quando Moses Scurry estava pulando e comemorando o título.

Jerry Tarkanian só parou de mastigar a toalha quando restavam 6 minutos para acabar o jogo. Então ele começou a comemorar. O placar final foi de 103-73 e marcou como a maior margem de pontos (goleada) na história das finais do NCAA Tournament. Anderson Hunt foi o Most Outstanding Player. Todo o trabalho de Tark, treinador de UNLV desde 1973, foi coroado com esse título.

Duke teve sua revanche no ano seguinte ao eliminar UNLV no Final Four. Segundo Tark, Duke rendeu o melhor momento e o pior momento do técnico em toda sua carreira. Jerry é conhecido por revolucionar o basquete pela sua pressão na defesa como combustível indução ao fast-paced offense. Pressing defense para forçar turnovers e conseguir o run-and-gun offense. Tarkanian só não conseguiu mais de 20 vitórias na temporada apenas duas vezes em sua jornada de 1973-1992 por UNLV. O treinador de Duke, Mike Krzyzewski, até fala que Tark the Shark ensinou a todos a verdadeira pressão man-to-man, e as equipes tiveram que se adaptar a essa filosofia para batê-lo. The Shark entrou para o Naismith Memorial Hall of Fame em 2013. Foi eternizado duas vezes na Thomas & Mack Center. Na entrada podemos ver uma estátua do Coach Tark e sua mania de morder toalhas nos jogos e a quadra dos Rebels recebeu o nome de “Jerry Tarkanian Court”.

Infelizmente o técnico veio a falecer no ano de 2015. Mas o seu legado será sempre lembrado com muita emoção. Não posso deixar de mencionar uma parte da entrevista de Larry Johnson. Johnson era um prospecto muito desejado na época. Todas as equipes estavam esperando o jogador para o Draft da NBA. Ele escolheu esperar. Ficou em UNLV até 1991. Ao ser perguntado sobre essa escolha, ele disse que não se arrepende. Sobre o título, ele resume em “The greatest experience of my career”. Os outros jogadores deram seus depoimentos sobre os anos em UNLV, mas eu separei essa pelo fato de Larry ser muito aguardado na NBA, escolher ficar na universidade e dizer que foi a melhor coisa que fez na carreira. Sensacional.

A homenagem de hoje foi para Dan Bisek, Sean Watkins, Byron Wesley, David Butler, Larry Johnson, Stacey Cvijanovich, Anderson Hunt, Travis Bice, Bryan Emerzian, Dave Rice, Stacey Augmon, Barry Young, James Jones, Moses Scurry, George Ackles, Greg Anthony, Chris Jeter e Jerry Tarkanian “Tark the Shark”. É uma longa história, que tentei resumir aqui, mas é uma das mais belas que já tive a oportunidade de ler.

O vídeo abaixo é o jogo contra Duke. Os demais jogos também estão disponíveis no canal da NCAA on Demand. Recomendo.

2 comentários sobre “College History – A Historia de UNLV e o Titulo Nacional em 1990”

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