Preview da Conferência Big Ten

Para muitos a melhor conferência de todo o país, a Big Ten sofreu com saídas de jogadores importantes nesta offseason. Mas não é a primeira vez que isto acontece, e o cenário mais provável é a continuidade do alto nível dentro da liga.

Em 2016 o título da regular ficou com Indiana, mas foi Michigan State quem faturou o torneio e ganhou a vaga automática no March Madness. Vamos ver mais detalhadamente como ficou a classificação final:

Pos. Time Vitórias Derrotas
1 Indiana 15 3
2 Michigan State 13 5
3 Purdue 12 6
4 Iowa 12 6
5 Maryland 12 6
6 Wisconsin 12 6
7 Ohio State 11 7
8 Michigan 10 8
9 Northwestern 8 10
10 Penn State 7 11
11 Nebraska 6 12
12 Illinois 5 13
13 Minnesota 2 16
14 Rutgers 1 17

A partir deste momento tudo o que você vai ler são projeções minhas para a temporada que está para começar:

Melhor Jogador

Malcolm Hill, G-F (Illinois)

1

O basquete tem ficado um pouco chato ultimamente com tantos times com a mentalidade de evitar o arremesso de média distância por este ser o menos eficiente, embora seja compreensível. Mas quando você tem um cara como Malcolm Hill, que é extremamente dominante nesse tipo de jogada, tal estratégia perde o seu valor.

Hill pode pontuar de várias formas, como por exemplo em contra-ataques. Porém ele prefere mesmo o mid-range game, onde pode se aproveitar da sua altura contra armadores mais baixos ou usar seu maravilhoso step back visando criar separação pro arremesso.

Infelizmente ainda precisa ser um pouco menos dependente da bola nas mãos se quiser ter sucesso no próximo nível, mas individualmente ele é meu jogador preferido na B1G.

Melhor Freshman

Miles Bridges, F (Michigan State)

2

Bridges tem um físico já desenvolvido e que possibilita que ele se encaixe perfeitamente no esquema dos Spartans que valoriza o atleticismo e intensidade defensiva, além do jogo de transição.

Como a safra de calouros da B1G em 2016 não é a mais talentosa, ele acaba sendo meio que um no brainer aqui. Mas isso não significa que ele não seja muito bom: o canhoto que jogou no mesmo High School que Andrew Wiggins, Gorgui Dieng e Thomas Bryant deve ser um dos melhores freshman dos Estados Unidos em 2017.

Melhor Defensor

Ethan Happ, F (Wisconsin)

3

Dos cinco atletas eleitos para o time de defesa da temporada passada, Happ é o único que continua na conferência. Apesar de Wisconsin não ser um time reconhecido pela imposição física, o ala-pivô consegue brilhar neste sentido.

Com seu atleticismo, Ethan conseguiu uma taxa de roubos absurda para um calouro de garrafão, além de uma proteção de aro eficiente. Atua com tanta intensidade que por muitas vezes exagera e tem problemas com faltas, mas é normal pra um cara tão jovem.

Melhor Treinador

Tom Izzo (Michigan State)

4

Sou grato por não ter feito um post desse um ano atrás, porque daí teria que escolher entre Tom Izzo e Bo Ryan neste quesito. Com a aposentadoria do segundo, Izzo tem meu voto com certa tranquilidade: apesar de apenas um título nacional, em 2000 (o qual por acaso foi, acredite se quiser, o último vencido por uma equipe da Big Ten), o treinador foi recentemente nomeado para o hall da fama do basquete; já são sete aparições no Final Four, além da incrível sequência de 19 anos seguidos chegando ao torneio nacional.

 

Time Ideal

G – Romelo Trimble
G – Bryant McIntosh
F – Malcolm Hill
F – Vince Edwards
C – Thomas Bryant (Indiana)

Menção Honrosa

Nigel Hayes (Wisconsin)
Miles Bridges (Michigan State)
Marc Loving (Ohio State)
Ethan Happ (Wisconsin)
James Blackmon Jr. (Indiana)
Peter Jok (Iowa)
Duncan Robinson (Michigan)
Caleb Swanigan (Purdue)

 

 

1. Michigan State

5

Michigan State não tem o melhor elenco – nome por nome – da Big Ten, mas eu também pensava isso antes da temporada passada e deu no que deu. Isto acontece porque têm no banco Tom Izzo – um dos melhores treinadores que o mundo do basquete já viu.

Tudo bem, é óbvio que a saída de Denzel Valentine será muito sentida; assim como foi um baque quando o promissor Deyonta Davis decidiu pular etapas ao se inscrever pro Draft da NBA. Mas Izzo terá uma das melhores safras de calouros de toda sua carreira, começando pelo candidatíssimo a freshman do ano da conferência: Miles Bridges.
2. Indiana

6

O casamento entre IU e Thomas Bryant foi um dos mais felizes dos últimos tempos no college basketball. Enquanto a universidade ganhou a presença de garrafão que faltava desde a saída de Noah Vonleh, o pivô natural do estado de New York encaixou perfeitamente num esquema que valoriza o espaçamento da quadra e abre espaço para o pick and roll.

Para surpresa de muitos, Bryant decidiu não seguir para o Draft da NBA após seu ano de freshman e com os Hoosiers novamente nesta temporada que promete ser especial para ele. O time que teve o 6º ataque mas eficiente do país em 2016 terá também os retornos de OG Anunoby, James Blackmon Jr e Robert Johnson – além de uma boa classe de atletas que estão chegando do High School.


3. Purdue

7

Purdue se destacou em todos os números que teoricamente dependem de um bom garrafão: proteção de aro, rebotes, defesa em arremessos de dois pontos, etc. Agora o pivô titular das últimas quatro temporadas – AJ Hammons – se formou, mas Matt Painter se dá ao luxo de ter outros dois bigs que seriam titulares em qualquer time da conferência: Caleb Swanigan e o gigante Isaac Haas.

O perímetro, como de costume, vai ter alguns problemas. Mas Spike Albrecht, ex-Michigan, é uma boa adição a curto prazo.

Se conseguir aumentar a taxa de turnovers forçados, a defesa do Boilermakers tem tudo pra ser dominante como nos velhos tempos.

4. Wisconsin

8

Greg Gard assumiu o comando dos Badgers no meio da temporada – após Bo Ryan decidir que era hora de dar um fim a sua brilhante carreira -, e não fez grandes mudanças no estilo de jogo. Pra quem não sabe, Wisconsin sempre tem sido uma das equipes mais lentas do país quando tem a bola nas mãos. É uma mentalidade paciente, sempre esperando a melhor hora para finalizar a posse de bola.

Claro, com a mudança do relógio de posse – que foi de 35 para 30 segundos -, o time teve que fazer uma leve adaptação. Mas, quando comparado com as outras equipes da conferência, ainda podemos ver que a tendência continua a mesma:

Pos. Time Posses/Jogo
1 Rutgers 71.6
2 Iowa 69.7
3 Minnesota 69.4
4 Indiana 69.2
5 Purdue 68.5
6 Illinois 68.5
7 Ohio State 68.4
8 Maryland 68.0
9 Nebraska 68.0
10 Michigan State 67.5
11 Penn State 67.2
12 Michigan 66.4
13 Northwestern 64.4
14 Wisconsin 64.1

 

5. Michigan

9

Vi alguns jogos de Michigan no início da temporada passada e confesso que achei os Wolverines extremamente dependentes da estrela da equipe, Caris Levert. Mas, pra minha surpresa, foi após a contusão de Levert que o time cresceu na competição e atingiu o torneio nacional.

Porém nem tudo foi positivo. John Beilein tem motivos para se preocupar com o desempenho de Zak Irvin, que teoricamente seria um especialista nas bolas de três, mas teve apenas 29.8% de aproveitamento em 2016. Seleção ruim de jogadas não é comum nas equipes treinadas por Beilein, mas temos cansado de ver isso com Irvin nesses três anos dele em Ann Arbor.

6. Ohio State

10

Recentemente os Buckeyes se contentaram com um papel secundário dentro da B1G devido ao elenco jovem e inexperiente. Agora, depois de alguns fracassos, Thad Matta tem quase toda a rotação do ano anterior retornando e só precisa de um pouco mais de maturidade de alguns jogadores que já são visivelmente talentosos.

Marc Loving, Jae’Sean Tate, JaQuan Lyle e Keita Bapes-Diop. Todos estes quatro atletas tiveram médias acima de 10 pontos por jogo no ano passado e estão de volta. Nenhuma outra universidade da conferência possui tantos jogadores com duplo dígito na pontuação retornando pra 2016-17.

7. Maryland

11

Os Terps foram, de longe, o pior time de rankear aqui: um elenco que foi muito enfraquecido na offseason, mas ainda possui um dos mais espetaculares jogadores da conferência no armador Melo Trimble.

Ok, quatro titulares se foram de uma equipe que já teve uma grande queda de rendimento na parte final da temporada (perderam quatro dos últimos seis jogos da regular da Big Ten após um início 10-2). Por isso não consigo vê-los na briga pelo título este ano, mas com a força habitual nas partidas dentro de casa devem vencer um número considerável de jogos mais uma vez.

8. Northwestern

NCAA Basketball: Iowa at Northwestern

Uma das atribuições mais subestimadas que um treinador do college tem é a de montar seu próprio calendário, e Chris Collins foi muito mal nesta área em 2015-16. Pra ser breve, o ideal obviamente é harmonizar a força do calendário com as aspirações da universidade na temporada em questão: times mais jovens e inexperientes em geral se beneficiam mais de jogos interconferencionais menos pesados para terem uma evolução gradativa e tranquila; já os que têm o objetivo de conquistar a vaga na pós-temporada precisam jogar contra equipes fortes não só para se preparar para o que está por vir, mas sobretudo porque o comitê que define os times a serem convidados para o March Madness levam em consideração o nível dos times que você enfrentou ao longo da competição.

Para a próxima temporada os Wildcats aparentemente terão testes mais complicados desde o início, como Dayton, Butler, Texas e um time que sairá do confronto entre Notre Dame e Colorado. É uma melhora significativa para o time do ótimo armador Bryant McIntosh, que deseja alcançar o primeiro torneio nacional da história do programa.

9. Iowa

13

Denzel Valentine, Yogi Ferrell, AJ Hammons, Diamond Stone e Caris Levert se foram; mas talvez nenhum destes tenha a ausência tão sentida quanto será a do ala-pivô Jarrod Uthoff por Iowa. E, para completar, outros três titulares da temporada passada também se formaram.

Pra esse ano a única volta relevante é a do subestimado Peter Jok, autor de 16.1 pontos por jogo no último ano. No mais, nenhum reforço via transferência ou junior college, o que leva a crer que a inexperiência vai reinar. Como o treinador Fran McCaffery sempre gostou de utilizar bastante os seus reservas, é capaz de maquiar um pouco a falta de grandes jogadores.

10. Penn State

14

Eu gosto de Pat Chambers e a forma como ele treina esse time de PSU, mas nos últimos anos tem tido uma dificuldade imensa com o garrafão da equipe. Pela falta de reforços neste setor, é muito comum vermos os Nittany Lions tendo um dos menores lineups da conferência – geralmente com quatro jogadores de perímetro em quadra.

Para 2016-17 ele perdeu Donovan Jack e Noah Dickerson; Julian Moore é o único remanescente da rotação de bigs do ano passado. Por outro lado, Penn State sempre tem uma grande ajuda de atletas de perímetro talentosos – como Tim Frazier e DJ Newbill até um tempo atrás e agora com Shep Garner.

11. Minnesota

15

Richard Pitino começa a temporada relativamente pressionado após um ano muito abaixo do esperado. Para ter ajuda imediata, ele foi no “mercado” e adicionou três boas peças por transferência: Akeem Springs (Milwaukee); Davonte Fitzgerald (Texas A&M); e Reggie Lynch (Illinois State).

Entre os remanescentes, o destaque fica para Nate Mason. Este mesmo atleta foi suspenso dos últimos quatro jogos dos Gophers em 2015-16 (junto com outros dois atletas) por conta da divulgação de um vídeo íntimo no twitter.

12. Illinois

16

John Groce está no comando de Illini desde 2012, mas eu tenho a sensação de que ele ainda não alcançou os resultados condizentes a sua capacidade como treinador. No ano passado, por exemplo, o elenco foi bastante afetado por lesões (de Leron Black, Tracy Abrams, Mike Thorne Jr., etc.), e já nesta offseason vieram à tona os problemas com a lei que está enfrentando o (agora ex) ala-armador do time Kendrick Nunn.

Então Coach Groce entra em mais um ano com buracos na equipe, mas ainda acho que tem as peças para fazer um trabalho respeitável. Coloco Illinois na 12ª posição, mas a verdade é que daqui até a 9ª colocação eu vejo o nível das equipes é bem parecido.

13. Nebraska

187

Tim Miles levou Nebraska ao torneio nacional em 2014 de forma improvável, e isso foi digno de grandes elogios. Quando mais se esperava dele, porém, ele não conseguiu atingir o sucesso desejado. Agora que aquele núcleo de dois anos atrás foi quase todo desfeito, tudo deve ficar ainda mais complicado para os Cornhuskers.

O bom backcourt com Tai Webster e Glynn Watson Jr. está retornando, no mais é um elenco bem abaixo da média. E Coach Miles deve ter outra preocupação: nos seus primeiros anos, a fan base foi de extrema importância ao transformar a Pinnacle Bank Arena em um verdadeiro caldeirão; mas na temporada 2015-16, Braska teve o pior índice de dependência do fator casa da conferência:

Pos. Time IDFC
1 Maryland 21.3
2 Indiana 21.0
3 Ohio State 19.8
4 Rutgers 17.6
5 Penn State 17.0
6 Minnesota 15.5
7 Illinois 12.1
8 Purdue 10.6
9 Wisconsin 10.6
10 Michigan 9.1
11 Iowa 6.8
12 Northwestern 6.3
13 Michigan State 1.9
14 Nebraska 0.8

*IDFC = Índice do Fator Casa

Lembrando que o índice traz a diferença entre a eficiência do time em casa e fora, ou seja, quanto maior o IDFC mais caseiro é o time. Com 0.8, podemos concluir que Nebraska não tirou qualquer vantagem de seus domínios.

14. Rutgers

188

O novo treinador de Rutgers é Steve Pikiell, que enfrenta um cenário bem parecido com o que pegou no início da sua caminhada pela universidade de Stony Brook. Na época, seu time era uma piada dentro do cenário nacional, mas anos depois ele conseguiu tornar o programa competitivo dentro da conferência America East: no ano passado, por exemplo, chegou a ter uma sequência de 18 vitórias e chegou ao March Madness após vencer o torneio conferencional.

Agora ele terá a tarefa de transformar a universidade situada no estado de New Jersey em uma força no basquete – algo que vários treinadores falharam em conseguir recentemente. Se quiser ter um desfecho diferente, será vital retomar o sucesso no recrutamento de atletas na região, a qual revelou nomes como Karl Anthony-Towns, Kyle Anderson e Isaiah Briscoe só nos últimos anos.

Enquanto isso, porém, terá que se contentar com um elenco pouco talentoso. Talvez a permanência do bom armador Corey Sanders seja a luz no final deste túnel tradicionalmente obscuro.

 

1 comentário sobre “Preview da Conferência Big Ten”

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