Preview da Conferência Pac-12

Continuando com o preview da temporada, hoje é a vez da Pac 12 – conhecida por ser a melhor conferência do oeste americano.

Na última temporada Oregon faturou tanto a temporada regular quanto o torneio, e a liga enviou sete equipes para o torneio nacional. Abaixo você pode ver a classificação final da Pac em 2016:

Pos. Equipe Vitórias Derrotas
1 Oregon 14 4
2 Utah 13 5
3 Arizona 12 6
4 California 12 6
5 Colorado 10 8
6 USC 9 9
7 Oregon State 9 9
8 Washington 9 9
9 Stanford 8 10
10 UCLA 6 12
11 Arizona State 5 13
12 Washington State 1 17

Com isso em mente, agora vamos focar nas projeções para a próxima temporada. Resolvi palpitar em tudo o que tenho direito. Vamos lá:

 

Melhor Jogador

Dillon Brooks, F (Oregon)

4

Brooks já foi um dos melhores jogadores da temporada passada e eu não tenho razões para duvidar que seja este ano também. Sua atitude dentro de quadra é sensacional: um líder, competitivo e muito confiante. Não foge da pressão, adora ter a bola pro último arremesso e, apesar de tudo isso, não é egoísta quando tem a bola nas mãos.

Não sei se ele tem tanto espaço pra evolução depois do que vi nos últimos dois anos, mas independente disso ele é meu favorito para jogador do ano na Pac.

 

Melhor Freshman

Markelle Fultz, G (Washington)

1

Fultz não só deve ser o melhor calouro da conferência, como tem boas chances de ser escolhido como primeira escolha do Draft de 2017 da NBA. Tem um tamanho absurdo para um armador, e todos fundamentos técnicos para tal posição. Gosta de atuar em transição graças ao seu atleticismo e controle de bola de elite. Também vai ter muita facilidade em arremessar sobre defensores mais baixos que irá encontrar no college.

Deixão aqui uma menção honrosa para Lauri Markkanen e Lonzo Ball. Este último deve sofrer muito pra ganhar espaço na rotação de perímetro de UCLA que já é recheada de bons jogadores, mas é bem similar ao próprio Fultz em alguns pontos.

Melhor Defensor

Wesley Gordon, F-C (Colorado)

NCAA Basketball: Colorado at Auburn

Chris Boucher e Jordan Bell devem ser os melhores bloqueadores, mas nem assim chegam a ser tão intimidantes como Wesley Gordon no garrafão. Gordon não só tem os braços longos, mas um corpo muito forte que permite que ele brilhe na proteção do aro. Tem “trabalho sujo” escrito na testa e dificilmente veremos algum jogador da conferência vencendo no jogo físico contra ele.

 

Melhor Treinador

Sean Miller (Arizona)

3

Miller levou Zona a três títulos conferencionais nos últimos 6 anos, e talvez isso nem mostre o tamanho da dominância da universidade dentro da Pac desde que o treinador desembarcou em Tucson, no meio de 2009. Talvez seu maior mérito seja o de ter estabelecido Arizona como o principal destino dos melhores prospectos do estado da California (de longe o estado com mais talentos no país), mas não dá pra ignorar seu excelente sistema defensivo baseado na vantagem física (sobretudo tamanho) em relação aos adversários. Sean já vem merecendo um Final Four pro seu currículo – já bateu na trave quatro vezes na carreira.

 

Time Ideal

G – Isaac Hamilton (UCLA)
G – Allonzo Trier (Arizona)
F – Dillon Brooks (Oregon)
F – Josh Hawkinson (Washington State)
C – Chris Boucher (Oregon)

Menção honrosa:

Markelle Fultz (Washington)
Jordan McLaughlin (USC)
Ivan Rabb (California)
Kyle Kuzma (Utah)
Tres Tinkle (Oregon State)
Tyler Dorsey (Oregon)


POWER RANKINGS

1.Oregon

5

Oregon foi campeã da temporada regular e do torneio da Pac-12, além de ter chegado entre os oito melhores times no torneio nacional. Uma temporada brilhante de uma equipe que permanece com quase todos os principais atletas da rotação para 2017. O frontcourt com Dillon Brooks, Jordan Bell e Chris Boucher é particularmente interessante.

Com essas peças o time de Dana Altman é capaz de fazer o que quase todos os treinadores sonham: espaçar a quadra no ataque sem abrir mão da proteção do aro. E nesse objetivo, Boucher é simplesmente vital: ele liderou a conferência em tocos e acertou 34% de suas 115 tentativas do perímetro.

Junte todo esse talento com a mentalidade coletiva que os times de Coach Altman sempre tiveram e você ganha um favorito ao bi campeonato – além de sérias chances de Final Four.

 

2.Arizona

6

Apesar da aparente dominância de Oregon, foi Arizona quem teve o maior saldo ajustado da Pac-12 na última temporada. Até por isso eu pensei seriamente em considerá-los os principais favoritos pra 2017. Porém a grande vantagem de Oregon na proteção de aro foi determinante aqui: os adversários dos Ducks tiveram aproveitamento de 53.6% de aproveitamento em volta do aro, enquanto que os oponentes dos Wildcats atingiram os 60.3%; e eu não acho que a chegada de Lauri Markkanen possa mudar significativamente isso.

No mais, eu tenho convicção de que Sean Miller terá nas mãos o seu maior arsenal ofensivo desde que chegou em Tucson: o trio Allonzo Trier, Kobi Simmons e Markkanen tem tudo pra ser especial.

 

3.UCLA

7

Os Bruins estão com três grandes reforços vindo do high school agora em 2016: Lonzo Ball, TJ Leaf e Ike Anigbogu; classe esta que até é considerada a melhor da Pac por alguns especialistas. E o mais interessante é que a equipe perdeu poucos atletas de um elenco que já era talentoso em 2015.

O treinador Steve Alford terá pelo menos cinco caras muito bons dividindo as três vagas do perímetro, lembrando muito o ano de 2014, quando se deu ao luxo de ter Bryce Alford e Zach LaVine começando as partidas no banco de reservas. Dessa vez as peças serão, além de Alford, Prince Ali, Isaac Hamilton, Lonzo Ball e Aaron Holiday. Não tem desculpa para ficar de fora do March Madness desta vez.

 

4.California

9

Cal foi o quarto time mais eficiente da Pac na última temporada e tem tudo pra continuar sendo uma equipe forte apesar das saídas de Jordan Mathews, Jaylen Brown e Tyrone Wallace. Mas tudo vai depender de uma temporada de afirmação dos dois melhores remanescentes dos Golden Bears: Ivan Rabb e Jabari Bird.

Este último vai para seu ano de senior e ainda não conseguiu confirmar todo aquele hype que recebeu antes de chegar em Berkeley, mas foi bastante útil no papel de especialista de bolas de três na equipe que atingiu o torneio nacional em 2016. O problema é que agora ele terá o desafio de ser o go-to guy desse perímetro e eu não sei o quanto o treinador Cuonzo Martin poderá contar com ele pra esta função

 

5.Colorado

NCAA Basketball: Stanford at Colorado

Desde 1963, os Buffaloes participaram de sete torneios nacionais e voltaram pra casa no primeiro final de semana em todas as oportunidades. Nada mais típico de uma equipe muito dependente do fator casa (lembrando que os jogos de pós-temporada são em locais neutros). Abaixo vocês verão uma tabela com o índice de dependência do fator casa na Pac-12 de 2016, onde o IDFC representa a diferença entre o desempenho do time em casa e fora – quanto maior o número, mais “caseira” é a equipe:

Pos. Equipe IDFC
1 Colorado 26.4
2 California 21.5
3 Stanford 21.1
4 Arizona 20.3
5 Arizona State 19.8
6 Oregon State 17.8
7 Washington 17.2
8 Utah 16.0
9 USC 14.8
10 UCLA 14.3
11 Washington State 13.7
12 Oregon 13.7


Apesar dessa pequena inconveniência, eu gosto muito de CU para esse ano: Josh Scott se foi, mas além da permanência de todos os outros principais atletas da rotação, o treinador Tad Boyle terá a volta de Xavier Johnson – ala que não atuou em 2015-16 após uma contusão séria dias antes da temporada começar.

 

6.USC

11

Nikola Jovanovic e Julian Jacobs foram para a NBA; Katin Reinhardt está se transferindo. Mas eu tenho um bom feeling sobre USC, graças aos retornos dos três melhores arremessadores do elenco: Jordan McLaughlin, Elijah Stewart e Bennie Boatright. A bola de três foi um dos pontos fortes dos Trojans, com um aproveitamento geral de 38.7% na competição – suficiente para ficar no top 20 de todo o país.

Outra peça que será vital para o sucesso da equipe é o ala-pivô Chimezie Metu, um ótimo protetor de aro que mostrou lampejos de superstar em sua temporada de freshman.

 

7.Utah

12

Ao todo foram 11 perdas que o treinador Larry Krystkowiak teve nesta offseason. Juntas, elas levaram 70% de todos os pontos que os Utes marcaram em 2015-16. Para a grande maioria dos treinadores isso seria desastroso, mas eu considero Larry um dos caras mais preparados pra maquiar um elenco que foi quase todo destroçado.

Com uma boa classe de jogadores do high school e sobretudo alguns reforçoes vindos do junior college, ele consegue uma solução paliativa para manter-se em um nível minimamente competitivo. A princípio não espere que Utah venha a disputar o March Madness, mas é bom ficar de olho nesse time do bom ala Kyle Kuzma.
8.Oregon State

13

A história recente dos Beavers é uma das mais legais de todo o College Basketball: a universidade não chegava no March Madness desde o ano de 1990, quando ainda tinha o monstro Gary Payton no elenco. 26 anos depois, foi preciso o filho dele – Gary Payton II – levar a equipe da cidade de Corvallis de volta ao torneio nacional.

Apesar de muito emocionante, essa historinha acaba subestimando a importância do treinador Wayne Tinkle neste feito. Tinkle assumiu o comando do time em 2014, após uma bela passagem pela universidade de Montana, e contribuiu em vários fatores: logo de cara melhorou o recrutamento de atletas; chegou com um projeto para integrar mais a fan base; e, talvez o mais significativo, fez bons ajustes na defesa que trouxeram bons frutos, como podem ver na tabela abaixo.

Ano Eficiência Defensiva Posição na Pac
2012 107.8 10º
2013 106.8 11º
2014 109.7 10º
2015 97.5
2016 105.4

Lembrando que eficiência defensiva, nesse caso, é o número de pontos a cada 100 posses que a defesa cede ao adversário. A dúvida é se ele pode permanecer na metade de cima da Pac nessa estatística mesmo após a saída de GPII.
9.Stanford

14

Stanford foi a única equipe da Pac que trocou o treinador nesta offseason. Saiu o ex-assistente de Duke Johnny Dawkins, e está chegando Jerod Haase, ex-assistente de Roy Williams em North Carolina – mas que já estava como treinador principal em UAB desde 2012.

Haase não vai pegar uma bagunça como a maioria dos treinadores recém-chegados costumam pegar. Tudo bem que o potencial dessa equipe dos Cardinal não é lá essas coisas, mas praticamente todo o elenco da temporada passada está retornando. Além disso ele terá a volta do excelente Reid Travis, que se machucou em Novembro e ganhou um ano como redshirt.

Não dá pra dizer que o trabalho de Dawkins foi fraco, mas tenho meus motivos para achar que Haase é um melhor fit aqui: ele é um cara com o perfil da universidade e tem influência maior sobre prospectos do estado da California (inclusive ele viveu e jogou na região da Bay Area quando mais jovem).
10. Arizona State

16

Em sua segunda temporada no comando, Bobby Hurley finalmente terá ao seu dispor uma belíssima classe de recrutados, com atenção especial para o trio Sam Cunliffe, Romello White e Jethro Tshisumpa.

Em 2016, os Sun Devils foram um time disciplinado e inteligente dentro de quadra, mas faltava talento para alcançar aquele algo a mais. Enquanto estes recrutas não amadurecem, o armador Tra Holder deve continuar comandando essa universidade que tem uma das torcidas mais legais da liga.

 

11.Washington

17

Os Huskies foram, na temporada passada, um dos times mais jovens do país (um jogador médio da equipe tinha 0.75 anos de experiência, segundo dados do Pomeroy, suficiente para ser rankeado como o sexto time mais inexperiente dentre as 351 universidades da Div-I). Por conta disso, o início do time de Lorenzo Romar foi bem complicado, especialmente devido ao alto número de faltas cometidas – um problema bem comum em atletas que acabaram de chegar do high school.

Ao longo da competição vimos uma grande evolução defensiva, que levou Washington a um (mais do que) respeitável desempenho dentro da conferência. O problema é que 62.6% de todos os pontos que a equipe marcou em 2015-16 foram embora com Andrew Andrews, Dejounte Murray e cia. Prevejo a continuidade do infortúnio da pouca experiência em 2017, apesar do talento bruto ser assustador.

 

12. Washington State

18

O panorama não é dos melhores para Wazzu. A equipe tem o pior desempenho da conferência desde a mais recente expanção, a qual adicionou Colorado e Utah como membros, em 2011:

Pos. Equipe Vitórias desde 2011-12
1 Arizona 67
2 Oregon 62
3 California 54
4 UCLA 53
5 Colorado 48
6 Washington 46
7 Stanford 46
8 Utah 43
9 Arizona State 39
10 Oregon State 36
11 USC 24
12 Washington State 22

Lembrando que 2011 foi exatamente o ano que o astro Klay Thompson saiu da faculdade pra virar profissional. Desde então surgiram alguns bons nomes individualmente, mas não o suficiente para fazer com que os Cougars tenham resultados respeitáveis dentro da quadra.

Para 2017 não é muito diferente: Josh Hawkinson é um dos maiores destaques da Pac. Um dos melhores reboteiros de sua geração, e que também é uma arma perigosa no pick and roll. No mais, é um elenco limitado e com uma extrema dificuldade em forçar turnovers do adversário devido ao baixo atleticismo.

 

CURIOSIDADES

 

  • Ao todo foram 108 jogos na temporada regular da Pac-12 em 2016. Destes, 77 foram vencidos pelos times mandantes (o que equivale a 71.3% total). Nenhuma das outras 31 conferências do país teve um índice tão caseiro.

 

  • Apenas 32% dos arremessos de quadra da conferência foram feitos da linha dos três. Só a Summit League teve uma frequência menor de arremessos de fora.

 

  • Jordan Bell precisou de apenas 50 jogos na carreira para se tornar o maior bloqueador da história da universidade de Oregon. São 146 tocos no momento, e ele possui dois anos de elegibilidade restando!

 

  • Desde 2002, nas vésperas do torneio conferencional, cada universidade integrante da Pac 12 indica um ex-atleta ou ex-treinador para o Hall da Fama da própria conefrência. Entre os destaques dos escolhidos em 2016 esté o baixinho Isaiah Thomas (ex-Washington que atualmente joga pelo Boston Celtics).

2 comentários sobre “Preview da Conferência Pac-12”

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