Tamanho importa mesmo?

Twitter aberto e me deparo com um dos jogadores que mais admirei na última temporada, Chris Clemons. Peço para me seguir na mídia social que iria fazer algumas perguntas. Padrão já recorrente de minhas entrevistas com jogadores que moram tão longe do meu alcance. Esperei sem muitas esperanças, já que Clemons era um dos melhores jogadores mid-majors do país e, dificilmente, daria atenção a um estudante de jornalismo que cobre College Basketball no Brasil (!). Notificação na tela. Um tal de Clemons me seguiu. Felicidade total. Perguntas já engatilhadas, mandei pro rapaz que só via nas streams de sites gratuitos, com travas e dificuldades. Respostas cinco minutos depois. Esse é Chris Clemons, destaque da pequena Universidade de Campbell, do estado de North Carolina. Pequena que nem ele, somente de 1,75m. No entanto, o talento é gigante.

Não atrair olhares de universidades mais conhecidas é normal para a maioria dos jogadores que saem do High School norte-americano. Estados menos conhecidos no basquete e com programas menores têm problemas para prospectarem seus atletas em nível nacional. Clemons jogou em Millbrook High School, na cidade de Raleigh, North Carolina. Prospecto local, o interesse veio por parte de North Carolina-Greensboro e Campbell. North Carolina e North Carolina State não se interessaram pelo menino talentoso, mas que não tinha altura suficiente para disputar o basquete universitário.

No nível anterior ao College, Clemons brilhou. Foi o segundo maior pontuador da história de sua escola (1.230 pontos), maior pontuador em uma única temporada (699), em um único jogo (41) e em arremessos de três pontos em uma temporada (100). Será que a altura foi o único fator para ser esnobado? “That could be the case. I don’t know exactly what those schools thought about me. It could have been size or they could have seen something else” “Eu não sei exatamente o que essas faculdades pensaram sobre mim. Poderia ter sido o tamanho ou poderiam ter visto outra coisa”. Clemons enfrentou Dennis Smith Jr., que jogava em Trinity Christian, e venceu o armador cinco estrelas que, posteriormente, fora recrutado por NC State, sendo autor de 32 pontos.

O menino sabia desde o High School que iria ser eficiente no College. Traduzir seu jogo nesse nível para o College era o maior desafio, o qual Clemons sempre lidou com extrema qualidade, já que os desafios que surgiram em sua vida e a dificuldade para adquirir a confiança de treinadores, olheiros e espectadores nunca foi fácil. “I do the same things in college that I did in high school. The big question for colleges at the time was would it translate at that level. I had no doubt that it would but I had to have faith that college coaches would see my game the same way I do.”. “Eu faço as mesmas coisas no College que eu fiz no High School. A grande questão para as universidades naquele tempo era se eu poderia traduzir (seu jogo) para esse nível. Eu não tinha dúvidas que conseguiria, mas eu tinha que ter fé que os treinadores olhariam meu jogo da mesma maneira que eu vejo.”.

O começo no College

Desde os primeiros toques na bola, a carreira de Chris Clemons em Campbell foi de sucesso. Melhor calouro da conferência Big South em 2015-16, Clemons começou a ter atenção nacional por suas enterradas, no mínimo ousadas, para um “baixinho”. Dono de 18.5 pontos por jogo, Clemons só ficou atrás de Jamal Murray (Kentucky) e Ben Simmons (LSU) em nível major e Marcus Evans (Rice), Dikembe Dixson (UIC), Matt Morgan (Cornell) e Tyler Hall (Montana State) em nível mid-major.

Na sua segunda temporada, Clemons destruiu recordes e mostrou o seu talento nos momentos mais importantes da temporada. Embora não tenha conseguido levar Campbell ao March Madness (parou na final da conferência para Winthrop), foi o atleta com mais pontos em único Torneio da Big South na história da conferência e em um único jogo da conferência (51 pontos vs UNC Asheville) – vídeo abaixo.

Sua média de pontos superou os 25 por jogo, número que o credencia a um seleto grupo de oito jogadores, incluindo ele, que tiveram mais de 25 pontos por jogo em uma temporada como sophomore (segundo-anista). A lista inclui “somente” Stephen Curry (Davidson) e Allen Iverson (Georgetown), além de Mike Daum, de South Dakota State (outro entrevistado por mim, nesse link). A temporada para Clemons foi incrível, mas ele compartilha o sucesso com seus companheiros: “For me this season was about growth. I am proud of what I’ve accomplished for myself but I am more proud of my teammates for the growth and progress they have made for themselves and our team.”. “Para mim essa temporada foi de crescimento. Eu estou orgulhoso do que consegui, mas mais ainda pelos meus companheiros pelo crescimento e progresso que fizeram para eles e nossa equipe.”.

Vida na NBA?

Com o sucesso recente de Isaiah Thomas, armador do Boston Celtics de apenas 1,75m, assim como Clemons, e mais antigos como Spud Webb, Muggsy Bogues e Damon Stoudemire, a vida dos baixinhos parece ser mais propensa ao sucesso e a menor desconfiança dos scouts. O armador de Campbell decidiu testar o Draft para ver se conseguirá ser escolhido entre os 60, para isso ele deve receber alguma promessa de um GM de algum time da NBA, senão, provavelmente, Clemons deverá retornar ao College e brilhar mais uma vez (no momento da entrevista Clemons não havia decidido se iria por seu nome no Draft).

A confiança no seu jogo fez a diferença em sua curta carreira. Calando os críticos, Clemons já é um dos melhores jogadores do College e a NBA será o destino dele nos próximos anos, seja na próxima temporada ou posteriormente. “I believe in my abilities and I have a lot of support and faith behind me. So I’m confident I can be a successful player and an important aspect of whichever team I play for.” “Eu acredito em minhas habilidades e tenho muito apoio e confiança atrás de mim. Então eu estou confiante que poderei ser um jogador bem-sucedido e uma peça importante de qualquer time que eu jogar.”.

Confiança. Palavra que Clemons se apega para mostrar a todos que o que importa mesmo é o talento.

1 comentário sobre “Tamanho importa mesmo?”

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